LONDON CALLING

março de 2015

por gerente

O Santista Marinho Faria cansou da insegurança e da falta de oportunidade do nosso país. Desembarcou em Londres há sete anos e está escrevendo sua história por lá. Você pode conferir o Londres na Lata, canal manero do YouTube com dicas valiosas de como viver bem no berço do Rock

Dois motivos levaram o santista Marinho Faria a arrumar suas malas rumo a Londres há sete anos. Em primeiro lugar, o baixista estava descontente com a cena do Rock na música brasileira, mesmo sabendo que lá também não seria fácil, ainda mais por ser estrangeiro. “Londres é o berço do Rock, então sabia que pra mim era o lugar certo”. O segundo motivo é a segurança. “Nunca me acostumei e não vou me acostumar a andar com medo de ser assaltado na rua e sabia que não passaria por isso aqui”, afirma.

Marinho tem quatro empregos. Trabalha meio período no correio. É músico, toca eventualmente na noite e tem um estúdio em casa, onde toca, grava e produz trilhas. Tem um um canal no YouTube, onde ele e mais quatro amigos fazem vídeos semanais com informações de Londres para brasileiros, com um pouco do dia a dia, dicas de lugares, viagens e shows, o Londres na Lata. Além disso, ele e a esposa têm uma agência de turismo que presta serviços para brasileiros, como passeios e transfer de aeroporto. 

 O músico explica porque não pensa em voltar.

“Quando cheguei aqui minha adaptação foi tão fácil, que nunca pensei em ir embora, tudo me encantou desde o início. A cidade é demais, cada canto que eu ia conhecendo me impressionava mais. Se você tem um trabalho qualquer consegue viver tranquilo e ainda viajar e fazer basicamente o que quiser. E também o fato de ser uma cidade grande com milhares de pessoas de todos os lugares do mundo e ainda sim ser um lugar seguro, muito organizado, onde tudo funciona muito bem”. 

“O plano é ficar por aqui por um bom tempo ainda. Quando ficar velho, aí sim é provável que eu vá para um lugar com praia, mais tranquilo. Mas por enquanto estou curtindo muito o furacão. Não quero voltar para o Brasil e se precisasse sei que a adaptação seria difícil. Saudades sinto sim, de ter a família por perto, os amigos. Em Santos é só dar um rolê até a praia, que você já tromba vários e isso não é muito comum aqui, por ser uma cidade grande. Sinto falta da praia e do clima. Mas sempre dou um pulo aí pra matar a saudade. É minha raiz, por mais que eu nunca mais more aí, sempre vou ter saudade desse pedaço do mundo”, garante. 

Mas como mostramos em todas as colunas Zerotreze pelo Mundo, nem tudo são flores. “Os maiores perrengues são no começo, pela dificuldade de comunicação quando ainda não se domina a língua, trabalhar muito e ganhar pouco... mesmo assim você consegue se organizar e planejar uma viagem aqui, ir num show ali e tal. Um outro perrengue é a vida social, que demora um pouco pra se criar. Eu tive sorte e tinha amigos de longa data que já moravam aqui, o que facilitou muito, mas sei que isso é difícil, principalmente no inverno. E o inverno, claro que é punk. Mas não tive problema com isso e pra falar a verdade até curti”.

 “A cultura é bem diferente também, mas se adaptar a cultura da educação e do respeito, de um lugar em que as coisas funcionam, que a corrupção é quase zero, que o transporte público funciona 24 horas, não importa em que ponto da cidade você esteja, não é nem um pouco difícil”, completa.

Rotina mesmo, Marinho só tem na parte da manhã, quando está trabalhando no correio. “Chego em casa por volta da 13h, aí cada dia é um dia. Posso ter um show ou uma gravação ou ter um tour pra fazer... Faço as edições dos vídeos do nosso canal, as trilhas, vamos pra rua filmar, é bem variado e bem corrido. Nas horas vagas, gosto de encontrar os amigos pra umas pints (copo bem grande de cerveja, comum no exterior), ir a shows, parques, viajar, fazer um som. O bom de Londres é que tem tudo toda hora. E mesmo depois de sete anos, só andar na rua ainda é uma curtição pra mim”, conclui.
 
 

 

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