A Hora e a Vez do Graffiti

agosto de 2014

por gerente

Creditos: 
Fotógrafo: Tom Leal

Da marginalidade e ilegalidade das ruas pra galerias de arte, projetos de decoração, publicidade e arquitetura, não há limites para a Street Art

Primeiro era pichação, depois virou arte e já faz um tempo que o graffiti se popularizou. Mas quem diria, que além das ruas, ele ganharia respeito e admiração e chegaria até mesmo as galerias de arte, obras de arquitetura, peças publicitárias e projetos de decoração. Santos tem vários artistas conceituados no assunto.

Aonde você for, encontrará alguma arte do Edgar Pesado, dono da marca de skate A Fase. “A cena do graffiti na Baixada Santista está crescendo bastante, os artistas daqui tem um nível altíssimo e não perdem para ninguém nem a nível nacional, nem internacional”, avalia Pesado. “Não só graffiti, como Street Art, sticker, lambe-lambe, stencil, é bem legal esse celeiro cultural que está rolando na cidade”, completa.
Ele considera a chegada do graffiti as galerias de arte, um movimento natural. “Hoje em dia a gente vê o graffiti em várias linguagens, várias mídias, vê sua tipografia em produtos, comerciais, mercados. Ele está inserido em todo lugar”, afirma Pesado.

“Acho normal a transição, considero o graffiti hoje uma escola de arte, assim como foi o cubismo, o impressionismo, o surrealismo, entre outras e outros gênios”, afirma o publicitário e grafiteiro Erico Bomfim.

“Admiro os dois lados, tanto o graffiti raíz das ruas, quanto o que está atingindo museus e galerias, assim todos nós podemos mostrar nossa arte. O ponto positivo desse movimento é a quebra do preconceito, pois antes era algo marginalizado e hoje a arte urbana está sendo respeitada. Foi um grande avanço”, comenta Pesado.

Erico Bomfim ao atuar como diretor de arte, tentava naturalmente envolver o graffiti em seus trabalhos. “Era bem difícil conseguir que a ideia fosse aprovada. Os produtos daqui não compravam as ideias, achavam que era um lance meio marginal”, lembra. “Hoje já consigo juntar as duas coisas em um trabalho publicitário”, declara. “Acho que o graffiti só não tem maior entrada na publicidade porque o custo fica mais caro do que fazer uma arte no computador”, avalia Bomfim. “No graffiti o custo pesa por conta dos materiais necessários, sprays, tintas e a mão de obra do artista, que deve mesmo ser valorizada”, acrescenta.

Recentemente houve uma exposição de graffiti no Teatro Municipal de Santos, chamada "A Galeria é Nossa", com diversos artistas da região, como Bomfim, Colante, Fixxa, Kid, Pesado, Ñ e Shesko. “Essa exposição foi um marco na minha vida, depois dela, comecei a receber várias propostas de trabalho com o graffiti, hoje estou trabalhando mais com isso do que com a publicidade. Valorizou a classe. E era o que eu queria, me abriu portas, estou muito feliz”, afirma Bomfim. Se engana quem acha que essa arte é recente. “O Graffiti surgiu no Brasil na década de 60 como arte de contestação em forma de pichações que retratavam o momento político”, afirma o arquiteto Felipe Torelli. Ele conta que a relação do graffiti com a arquitetura vem crescendo e se torna a cada ano mais popular.

“Os artistas ganharam status de astros e percorrem o planeta pintando os mais famosos e diferentes pontos do mundo”, comenta Torelli.

“O movimento cresceu muito e tomou conta das galerias, comércios e por fim foi para dentro das residências. Na decoração, ele surge para dar um ar descolado para grandes paredes, cozinhas, pequenos lavabos e espaços temáticos. Podem ser aplicados também em grandes telas e técnicas de fotografia”, revela. “Na aplicação, é sempre importante que a superfície esteja perfeita e com texturas uniformes. Combinações com materiais como o concreto e tijolo podem dar um ar mais urbano, remetendo a cenários de cidades grandes como Nova Iorque ou Londres”, explica o arquiteto.

Fala-se também em Street Art, qual a diferença? 

“Street Art é uma intervenção pra fazer com que aquele vazio se torne atrativo. Não tem compromisso de pintar uma parede, pode pintar uma lata de lixo, por exemplo.

Parte do princípio do graffiti, mas muda o conceito, muda a plataforma, não está preso somente a rua e sim aos objetos, um poste, um canteiro, qualquer coisa”, analisa Bomfim. “Uma vez no BNH, peguei um lixo acumulado e com umas madeiras fiz uma intervenção visual no ambiente, tipo uma escultura, pintei uns rostos”, revela Bomfim. “Em São Paulo tem um grupo muito bacana, o Seis e Meia, que pinta bueiros”, conta.

“Vejo o grafiteiro como um muralista, alguém ligado ao muro. O graffiti é essencialmente urbano, traz muito da cultura hip hop e referências de periferia”, conclui. Seja qual for a técnica ou conceito, é sempre bom ver nossas ruas repletas de arte.

 

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo