Dread Hot conta tudo sobre sua carreira crescente

dezembro de 2018

por Carol Bertholini

Liberte-se de qualquer preconceito e conheça a vida de uma santista que ganha a vida trabalhando com sexo.

Uns tempos atrás soube que uma amiga da minha irmã (que sempre estava comigo nas festinhas e nas mesas de bar) estava atuando em filmes pornô. Me percebi um poço de preconceito, admito. Elas se conheciam da faculdade de publicidade e eu não conseguia entender como, uma menina com tantas possibilidades, tinha se envolvido neste universo. Pois é. Depois de entrevistá-la percebi que entrar para o pornô foi uma dessas possibilidades. E foi exatamente o que ela escolheu.

 

Há cerca de dois anos Vitória Schwarzelühr resolveu abandonar o cotidiano tradicional e tomar as rédeas da própria vida. Depois de se formar e atuar por alguns anos como publicitária, ela conheceu uma área onde poderia unir, literalmente, o útil ao agradável.

"Eu amo a área em que me formei. Mas a rotina me cansava muito. Isso sem falar do retorno financeiro que é muito ruim. Eu não estava feliz. Hoje eu trabalho em casa, na hora que quero. e Tenho como base tudo aquilo que aprendi na faculdade."

Tudo começou numa conversa com uma amiga quando surgiu o nome camgirl.

"Eu sabia que existiam web-strippers, mas achava que era só em site internacional. Quando descobri o câmera privê me encantei. Aí eu falei com meu namorado, que teve ciúmes, mas achou interessante. A gente resolveu tentar. Mas antes pesquisamos muito. Estudamos o assunto mesmo. E depois de uma semana pedi as contas no trabalho."
Foi assim que surgiu a Dread Hot.

 

Você pode estar pensando que jamais conseguiria fazer isso. E ok! Ninguém é obrigado mesmo. Mas as pessoas reagem de maneiras diversas. E com o Alemão, namorado da Dread há três anos, foi diferente.

"Apesar de ser eu que escolho com quem faço as cenas, a gente colocou alguns limites. Quando ele acha que a pessoa não tem nada a ver comigo, normalmente eu já percebi isso antes. E eu também não faço cena com homens. "

E a família da Dread? Será que reagiu bem? Bom. A vida não é um conto de fadas e ninguém é perfeito. Levou um tempo até que a mãe conseguisse compreender a opção da filha.

"O apoio da minha mãe é muito importante para mim. Minha avó ainda tem dificuldades. Ela sabe, mas não aceita. E eu entendo que para ela seja mais difícil compreender. Mas o melhor de tudo isso é poder ser verdadeira. Não precisar mentir sobre o que eu faço. Depois que contei, ainda levou um tempo para minha mãe vir conversar comigo. Mas quando isso aconteceu foi maravilhoso. E foi perceber que eu tinha conseguido abrir a mente da minha mãe que me fez ter vontade de abrir o canal no youtube. Acho que é possível fazer isso com mais pessoas."

Já com alguns amigos.... não foi assim. Durante dez meses, a Dread não contou sobre a mudança na vida profissional para ninguém. Mas quando decidiu contar algumas pessoas que ela considerava amigas revelaram seus preconceitos.

"Foi como separar o feijão bom do ruim. Tem alguns amigos que pararam de falar comigo. Homens e mulheres. Mas os que permaneceram são aqueles que realmente se importam com a minha felicidade."

 

Trabalhar com sexo não deve ser nada fácil. Ainda mais para uma mulher. Se tem algo que todo mundo sabe é que o sexo é tratado de maneiras bastante diferentes para homens e para mulheres. A sociedade ensina homens a serem livres sexualmente. Mulheres não. Por mais que estes preceitos estejam sendo desconstruídos muitas mulheres, o prazer sexual ainda é um assunto velado. E com a Dread, por mais que alguns duvidem, também foi assim.

"Para mim sexo sempre foi um tabu. Principalmente a pornografia. A gente cresce ouvindo transar é feio, que é pecado. Até a masturbação é um assunto tratado com naturalidade apenas entre homens. Eu cresci em igreja católica e minha família é muito conservadora. Então eu tinha aquelas questões de não transar no primeiro encontro e tal. E tinha até nojinho de pensar sexo entre mulheres. Mas depois do pornô eu me libertei disso tudo. Eu já tive orgasmos antes, mas não acontecia sempre que eu transava. Hoje eu sei o que eu gosto. Sei o que tenho que fazer pra gozar. Se tornou bem natural."

Querendo ou não a rotina também faz parte da vida da Dread. Aulas de dança, academia, yoga e trabalho, muito trabalho, são compromissos diários.

"Eu trabalho bastante. Gosto desse trabalho. Sou bem competitiva, teimosa. E nesta área a grana é boa. Tem que ter disciplina, noção de cenário, de luz. Falar português errado é horrível, inclusive, como em qualquer outra profissão."

O preconceito, como em praticamente tudo, também faz parte do enfrentamento diário de quem atua neste ramo.

"É complicado mesmo. Durante um tempo, antes de eu assumir minha profissão, eu me preocupava muito de alguém me reconhecer nas salas virtuais. Tem situações que são chatas.

Por exemplo: ter que mentir sobre sua profissão para conseguir alugar uma casa. Eu tive que fazer isso.

Tem ainda aquelas pessoas que misturam as coisas e acham que trabalhar com sexo significa fazer programa. Nessas horas o jeito é driblar os mais confusos.
Eu simplesmente respondo que não. Apenas não faço. Mas se um dia eu achar que estou afim não terei o
menor problema.

Apesar dos constantes julgamentos não existe rancor.

É normal pré-julgar. Eu mesma, antigamente, pensava que era um absurdo fazer programa, fazer filme pornô. Mas a gente vai se repensando, mudando. Um passo de cada vez.

O importante é pararmos para refletir quando percebemos que estamos julgando sem conhecer. Já me peguei julgando a roupa que alguém estava vestindo. E daí se a pessoa curte misturar roxo com azul? O que a gente precisa fazer é olhar mais pra nossa vida e parar de prestar atenção na vida dos outros.

Apesar de toda essa alternatividade, Dread imagina um futuro bastante convencional.
  Quero ter filhos, marido, cachorro, periquito, papagaio. Mas me vejo trabalhando com o pornô para o resto da minha vida.

Se todo mundo espera ser reconhecido na profissão, por que com ela não seria assim?! E este reconhecimento veio bem rápido.
Eu conheci uma produtora que me encantou. Haviam muitas mulheres trabalhando em várias funções. Dirigindo, trabalhando em várias funções. Dirigindo, filmando, produzindo. E como eu sempre tive um lado feminista bastante aflorado, me apaixonei e resolvi trabalhar com essa produtora. No ano passado atuei no meu primeiro filme, e este ano estou concorrendo a atriz revelação no prêmio Sexy Hot. É o Oscar do pornô.

No final da entrevista eu pensava o quão delicioso foi trocar experiências com alguém que se encontrou profissionalmente e que está satisfeita com a vida que tem. Claro que nem tudo são flores. Esta é uma profissão que requer cuidados. Muitos cuidados. Mas qual profissão não pode prejudicar a saúde ou o psicológico de alguém se não for realizada com satisfação? O que vale nessa vida é ser feliz. Esta é a Vitória. Ou a Dread Hot. E ela é feliz! ZT

IG     dreadhot
YT     QG da Dread
TWT     dreadhott
WEB     cameraprive.com/dread-hot

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