Downhill é a modalidade que vai subir a sua cabeça

agosto de 2016

por Victória Ramalho

A década é a de 70 e o lugar é a Califórnia. Estamos em São Francisco, vendo um monte de gente andando de skate e de bicicleta ao som dos Eagles, que eternizaram seu famoso Hotel com o mesmo nome do estado. Olhando as montanhas da baía, vemos uma galera descendo o Mount Talmapais de bicicleta. Foi lá que começou a história da modalidade esportiva Downhill, uma variação do Mountain Bike, que nada mais é que descer uma trilha tortuosa e cheia de obstáculos com a bicicleta o mais rápido que puder.

O esporte saiu da terra e migrou para o asfalto em Portugal nos anos 2000 e, em 2003 a nossa própria casa sediou o que é hoje uma das principais competições da categoria. A Descida das Escadas de Santos reúne os melhores esportistas do ramo, nacional e internacional. E quem é de Santos e região tem mais um motivo para ficar empolgado: logo aqui no quintal de casa, no Morro da Asa Delta na divisa entre Santos e São

Vicente, existe uma pista com percursos de níveis diferentes para desafiar todo tipo de esportista.

Para treinar a categoria, a bike precisa ser específica ou modificada a partir de uma Mountain Bike. O equipamento é caro, mas não deixa na mão na hora de praticar o esporte. O Downhill também é democrático e não tem idade específica para praticar. Mulheres, homens, crianças são bem vindos, basta estar equipado com todas as ferramentas de segurança. A modalidade vem crescendo a cada anos porém são poucos os que ficam. Muita gente se interessa, mas nem todo mundo encara todos os desafios do esporte. Afinal, essa é a classe de Mountain Bike mais perigosa da categoria e requer todo tipo de mecanismo de proteção.

Carlos Nascimento Júnior, mais conhecido como Minhoca ou Cabelo, é o mantenedor da pista. Ele, skatista profissional, começou a praticar Downhill em 2008, desce as escadas do Monte Serrat desde 2012 e encontrou a pista por um acaso. “Eu até fui visitar uma vez e falei que aquilo ali não era coisa pra mim, achei que não era capaz”. As coisas mudaram quando o filho de Carlos decidiu descer a pista, o que fez com que ele tomasse a coragem e fosse lá checar o trajeto com a própria bicicleta. Os dois começaram a praticar Downhill juntos e entraram com força na categoria.

A pista Asa Race fica no topo do Morro da Asa Delta e desce até a estação João Ribeiro do VLT em São Vicente. A sua extensão vai desde a rota mais simples, com 800 metros a mais complicada, com 1 km. Ela era, de fato, uma trilha com poucos obstáculos feitos por quem já andava com a bike por ali. A pista não possui patrocínio oficial e quem mantém o local é o próprio Minhoca e alguns amigos e praticantes do esporte.  “Todo mundo fala que vai ajudar, mas no final ninguém ajuda. Já coloquei dinheiro do meu bolso para colocar madeira nos percursos” comenta o esportista.

Não há cobrança para andar pela Asa Race e também não há capacidade máxima. Carlos, que já é uma figura conhecida pelos que praticam o esporte, também apresenta o trajeto para as pessoas conhecerem melhor sobre os percursos. Isso porque a ela chama a atenção de muita gente. A pista é famosa entre as pessoas envolvidas no Downhill justamente pelo nível de dificuldade que ela apresenta sendo ela uma pista natural.

Nomes de peso do esporte como Cedric Gracia, da França, Wallace Miranda e Gabriel Oliveira, foram alguns dos que subiram o Morro da Asa Delta conferir as descidas da pista.

Para os viciados em adrenalina, os corajosos de plantão e todas as pessoas que querem incentivar o esporte e não sabem como, fica aqui o convite para conhecer a Asa Race. Ela requer cuidados e, como não há um custeamento oficial, todo mundo pode ajudar seja colocando a mão na massa ou fazendo doações. A pista é uma preciosidade da região que vale a pena conferir. E você, tá dentro?

 

 

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