Diversão ou Profissão?

fevereiro de 2019

por Lethicia Gabriela

Creditos: 
Fotógrafo: Tom Leal

Em um universo em que os games dominam diversas gerações, a Zerotreze encontra quem faça da brincadeira, coisa séria

Jogar vídeo game profissionalmente é o sonho de muitos garotos, e até homens. Até por que os jogos não são coisa de criança há muitos anos. Com a tecnologia e criatividade, vemos todos os dias o mercado de games crescendo e evoluindo.
 

   Rodolpho Alves Mattei (Dodo Mattei), formado em Educação Física, tem 24 anos e está apostando no FIFA, videojogo de simulador de futebol no PlayStation 4. Mattei começou a ver o jogo de outra forma quando viu brasileiros se classificando em campeonatos internacionais e ganhando altos prêmios em dinheiro.
    A primeira competição presencial que Mattei participou aconteceu em Santos e o terceiro lugar o classificou para a E-Cup, realizada no Beira-Rio, estádio do Sport Club Internacional em Porto Alegre (RS). O prêmio máximo era de 50 mil.

    Acabei caindo nas quartas, fiquei entre os oito melhores, mas foi uma experiência profissional incrível, valeu demais. Fui para o campeonato com tudo pago; hospedagem e avião. Mesmo não vencendo, me deu muita bagagem para as próximas
competições,     conta.

Outro campeonato oficial que o gamer participou foi o Eletronic Esports World Cup (ESWC), em São Paulo.
O evento oficial reuniu pessoas de diversas localidades e os vencedores ganhavam vaga para o FIFA 18 Global Series Playoffs, em Amsterdã. Rodolpho bateu na trave.
Acabei perdendo nas quartas de finais do ESWC para o Mexicano Reinhard "Rein10" Krause, que inclusive acabou sendo o campeão do torneio no PlayStation 4. Essa experiência me deu ainda mais gás para continuar treinando e ir mais longe. Costumo jogar seis horas por dia,    explica.

    Atualmente, Rodolpho alia os treinos do FIFA com seu emprego, uma tarefa difícil, mas necessária, até chegar o tão sonhado patrocínio. Por enquanto, a família ainda estranha tantas horas de treino em um jogo, mas veem potencial nas classificações.
    Mattei irá precisar de 153 vitórias em 160 jogos para se classificar para o mundial. Todos esses 160 jogos acontecem de forma on-line com pessoas da América Latina, em sua maioria brasileiros e argentinos.

Minha mãe fica ansiosa e já pergunta quando que terão novas competições. No momento estou descansando e me preparando para o FIFA 19, em setembro virão novas jogadas, dribles, marcações e desafios.

    Os campeonatos mais famosos no Brasil são a Copa EA games, que foi televisionada; os torneios da EA que levam para a Copa e a E-Cup, que aconteceu no Beira-Rio. Além dos oficiais no exterior, como ESWC e a Copa do Mundo da FIFA.
    Mas afinal? Será que daria para viver só disso? Rodolpho conta que no Brasil não existem muitas equipes que pagam um salário adequado, dando o suporte necessário. Os brasileiros que tiram seu sustento total dos games normalmente são contratados por equipes internacionais.
 

    O que acontece por vezes no nosso país são ajudas de custo de R$ 300, ou R$ 500 reais. Não são salários de verdade,    explica.

 

  

 Os valores mais altos são as premiações. No ESWC, por exemplo, os prêmios eram em dólares americanos (USD), US$ 2.500 para o primeiro lugar (mais a vaga para o mundial em Amsterdã), US$ 1.500 para o segundo e US$ 1.000 para o terceiro.

    De fato, esse cenário gamer vem crescendo no Brasil, e o sonho de Rodolpho é um dia conseguir ser campeão mundial. Por enquanto ele precisa se destacar nos campeonatos no Brasil e se classificar para as competições no exterior.

Sei que o reconhecimento do meu trabalho vem com o tempo, mas acredito que seja possível. Com muito treino e força de vontade, chego lá.
Não irei desistir.

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