Competidor Feroz

junho de 2015

por Evelyn Cheida

Cosmo Alexandre é mais que um lutador. Competidor voraz, o campeão mundial não veio ao mundo para perder. Atleta de vários esportes desde menino, aos 33 anos se mantém na elite do Muay Thai e do KickBoxing. Também luta MMA e ainda sobra fôlego para mandar bem no Surf

Goleiro profissional até os 19 anos em times do interior, seu treinador dizia que ele precisava melhorar o alongamento. Ao assistir um filme do Van Damme ficou impressionado com a flexibilidade dos lutadores. Resolveu então entrar no Muay Thai. Em menos de um ano teve que fazer uma escolha, pois começou a se machucar muito se dedicando a duas modalidades. “Foi quando optei pela luta, pois percebi que era algo que só dependia de mim e não de empresários e outros fatores. Sabemos que o futebol envolve muita máfia, jogador que entra no time porque tem contatos ou dinheiro, o empresário com suas porcentagens, enfim... Decidi ir à luta literalmente, pois se ganhasse eu ia me destacar sem depender de mais ninguém. Sou eu e o ring”, conta Cosmo Alexandre.

Cosmo foi lutando e vencendo. Em menos de um ano já era campeão brasileiro de Low Kicks, uma modalidade do KickBoxing. Em 2005 uma lenda do esporte, o tailandês Pirojnoi, veio ao Brasil convidado pelo presidente da Confederação de KickBoxing, Paulo Zorello, para montar um time de primeira linha no país. Pirojnoi é uma lenda do Thai, foi protagonista de uma luta que foi considerada a melhor do século. Cosmo não teve dúvidas, se mudou para o alojamento do tailandês no Ginásio do Ibirapuera.

 “Decidi que queria treinar com ele de qualquer maneira, precisava absorver o máximo possível, pois sabia que os tailandeses dominavam a arte do Muay Thai e não podia perder essa oportunidade. Os treinos eram duros, não foi nada fácil. Eu era o único que treinava com ele duas vezes por semana”, revela.

Em 2007, Cosmo se mudou para a Tailândia na cara e na coragem. “Nos dois primeiros meses eu me machuquei muito, tive várias lesões”. Mas o reencontro foi obra do acaso. “Eu não tinha noção de nada, só comprei a passagem e fui. Na verdade nem fui pro campo de treinamento dele, foi coisa de Deus reencontrá-lo. As coisas aconteceram muito rápido, no mesmo ano que cheguei fui campeão mundial na Tailândia”.

Cosmo morou no país por um ano. Foi também campeão intercontinental e ficou muito conhecido por lá. “Até hoje sou muito conhecido na Tailândia. Os brasileiros que vão para lá treinar sempre ouvem falar em Cosmo Alexandre. Aí eu passei a querer conquistar outro mercado, o da Europa”, afirma o incansável atleta. Lutou na Tailândia, Austrália, Nova Zelândia e Hong Kong. “Mas como a moeda deles era muito baixa, pensei que voltaria sem quase nada para o Brasil. Foi quando pesquisando, decidi me mudar para a Holanda. Em menos de seis meses fui campeão do maior torneio da Europa, o It´s Show Time, por muito tempo considerado o maior evento de luta em pé do mundo. Depois ainda fiz a defesa de cinturão com sucesso. Voltei ao Brasil em 2009, quando um amigo me convenceu a começar a lutar MMA. Neste ano voltei à Tailândia e fui campeão do King´s Cup, evento muito importante, realizado todo ano no aniversário do rei. Sou o único da América a ter ganhado esse título”, relata.

Mas já que agora também estava na onda do MMA, teve o mesmo pensamento de quando deixou o Brasil pela primeira vez.

“O ideal era que eu me mudasse para os Estados Unidos, o foco do esporte, principalmente para treinar o Wrestling, fundamental no MMA”.

Ele tem contrato com o Legacy, torneio pelo qual compete MMA e KickBoxing. “Quando cheguei nos EUA procurei várias academias, fui para o Oregon e Nova Jersey, depois para Boston, onde encontrei o treino ideal, mas as coisas não estavam acontecendo como eu queria. Foi então que um tailandês conhecido meu me chamou para treinar com ele na Flórida, já que ele iria montar uma equipe nova. Um dia, parou e olhou: só tem negro e brasileiro treinando. Essa equipe tem que se chamar Blackzilians. O nome deu certo, já que até hoje é a equipe de grandes nomes do UFC, como Vitor Belfort, Anthony Johnson e Rashad Evans. Treinei quatro anos no time e retornei ao Brasil ano passado”.

Da infância até os 16 anos Cosmo Alexandre andou muito de skate. Depois partiu para o Futebol e depois para a luta. “É como falo para meus amigos, não sou apenas um lutador, sou um competidor, não gosto de ser ruim em nada. Me cobro muito em tudo. Há dois anos comecei a surfar de Stand Up e todos falam que minha evolução foi muito rápida”, comenta. Hoje já compete no time do campeão mundial Leco Salazar. É, Cosmo não leva nada na brincadeira.

O atleta está morando em Santos novamente, mas sempre viaja ao exterior por conta das lutas.

“Fui campeão dos maiores eventos que eu competi, como do King´s Cup, maior evento da Tailândia, em que sou o único brasileiro a ser campeão, It´s Show Time, Wako, WPMF, W5, etc. Voltei da Flórida porque queria ter uma vida mais tranquila, perto dos meus filhos. Gosto de levar uma vida simples, surfar de manhã, treinar a tarde e a noite, me preparar bem para as lutas. Tento ficar o máximo possível com meus filhos, sem eles eu não vivo”, garante.

“Meu ganha-pão é o Muay Thai, mas hoje minha paixão é estar no mar o máximo de tempo possível, isso não tem preço. Já fui surfar na Nicarágua, Costa Rica, Havaí e Indonésia. Quando morava nos EUA, estava na pegada de ter dinheiro, ter um carro legal, uma moto top. Mas quando comecei a surfar percebi que não preciso de tudo isso. Só preciso de grana pra viajar pra surfar e deixar meus filhos bem. Não sou da noite, curto o dia, o esporte e minha família. Estou muito feliz, conquistando meus títulos, me mantendo em alto nível aos 33 anos. Hoje me sinto muito mais forte e experiente no ring. Fui campeão mundial de KickBoxing no ano passado e vou defender o cinturão esse ano na Eslováquia, em dezembro. Já estou com vontade de andar de skate de novo (risos), vou aos EUA mês que vem e quero montar um carrinho novo”, avisa.

 Assim dá até gosto de ficar na torcida. Alguém ainda duvida da força desse guerreiro? O lugar do cinturão de Kick é em Santos. Oss!

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