Alemanha

janeiro de 2019

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Um dos países mais intrigantes da Europa, a Alemanha é também, um dos destinos mais notáveis da história. Logo após a Segunda Guerra, ninguém acreditaria ela se tornaria a principal potência econômica da Europa moderna. A queda do Muro de Berlim em 1989 pôs fim à divisão da nação e a França, seu inimigo histórico, é atualmente seu principal parceiro político e comercial. Ambos os países sofreram muito nas guerras e hoje defendem pontos de vista comuns pela paz e pelo reforço das instituições internacionais.

Ao contrário do que pensam alguns, a Alemanha tem muito o que oferecer aos turistas além de ricas metrópoles como Berlim: lindas paisagens, castelos e cidadezinhas adoráveis, muitas das quais foram mais preservadas dos horrores da guerra. Também é famosa por ser um dos países mais organizados do mundo, limpo, responsável e inteligente possuí infraestrutura completa, com um sistema de transporte impecável, com trens, bondes, estradas e aeroportos moderníssimos, o que facilita o acesso a todas as regiões.
    Para confirmar ainda mais as informações acima e nos contar sobre sua vida por lá, entrevistamos o santista Luiz “Pardal” Freudenthal, de 60 anos. Engenheiro eletrônico e músico, que atualmente mora em Berlim e trabalha como programador.

Depois de formado, em 1986 na Escola de Engenharia de São Carlos – USP, fui para São Paulo onde trabalhei como engenheiro de desenvolvimento. Fiquei desempregado em 1990, no meio de uma crise brava. A inflação na época era de quase 100% ao mês. As chances de arranjar um novo emprego eram praticamente nulas, uma vez que, com 33 anos, já era considerado “velho”. Nesta época comecei a trabalhar como músico em barzinhos de São Paulo e como produtor de eventos de um conhecido cantor e compositor brasileiro. Encontrei por acaso um amigo, em um bar de São Paulo, que havia tocado comigo em São Carlos, na época da faculdade. Ele estava morando em Berlim, e me contava que a cidade era muito bacana e que estava vivendo somente de musica.

    Como Pardal é descendente de alemão, começou a pensar na possibilidade de ir até o país de seus antepassados. E isso de fato aconteceu, logo após a uma série de acontecimentos posteriores ao esse encontro, que fortaleceram de vez a sua decisão final.

    Cheguei na Alemanha em 1992. Uma semana depois já estava dando um primeiro show na cidade vizinha de Potsdam. A partir daí comecei a tocar em barzinhos, festas de casamento e de aniversários. Tive o maior apoio possível desse amigo que havia encontrado em São Paulo, juntamente com seus amigos, que automaticamente viraram meus também. Me ajudaram bastante a lidar com coisas como moradia, traduções, enfim, com a burocracia, uma vez que eu não falava alemão quando cheguei.

    Formamos logo depois um duo de voz, violão e percussão. Por outro acaso, procurando equipamento de som para um dos nossos shows, consegui um emprego de técnico eletrônico numa firma de sonorização de espetáculos. Nessa firma participei do trabalho de sonorização de alguns brasileiros, como Olodum, Gilberto Gil e Caetano Veloso. Mais tarde trabalhei como técnico de som “freelancer” e sonorizei os shows de: Belchior, Geraldo Azevedo, Itamar Assumpção, Lenine e Suzano, e muitos outros,    comenta.

Trabalho e Qualidade de vida

    O santista teve um começo bastante satisfatório em sua aventura na Alemanha e a continuação não foi muito diferente, mesmo após a falência da firma que ele estava trabalhando, decorrente da dura crise econômica que o país enfrentou no ano de 2000.

    É claro que o governo dá um apoio monetário, apesar de pequeno e insuficiente, aos desempregados. Além disso eles trabalham para que a pessoa seja novamente incluída no Mercado de trabalho. Por meio de um programa governamental, fiz cursos de especialização em informática, programação, ao que devo meu atual emprego,     ressalta.

    A primeira impressão de trabalho na Alemanha para o Pardal foi o exercício de cidadania. “Imagine que, com uma semana de trabalho, eu já tinha todas as chaves da firma. Outra coisa foi a total liberdade, e consequentemente responsabilidade, que todos tem sobre o próprio trabalho. Quando o chefe erra, é tido como obrigação apontar o erro. Costuma se dizer “Bom Divertimento!” para aquele que está indo trabalhar”, conta.

    Imagine que, com uma semana de trabalho, eu já tinha todas as chaves da firma. Outra coisa foi a total liberdade, e consequentemente responsabilidade, que todos tem sobre o próprio trabalho. Quando o chefe erra, é tido como obrigação apontar o erro. Costuma se dizer “Bom Divertimento!” para aquele que está indo trabalhar,     conta.

    Com relação à qualidade de vida aqui, ele acredita ser superior ao Brasil.

    Por aqui ainda dá para ser pobre sem perder direitos básicos de cidadania, como educação, moradia e saúde.

    Claro que a situação piorou muito desde que cheguei. O neo liberalismo, com suas privatizações, terceirizações, incentivos a especulação imobiliária tem empurrado a Alemanha em uma crise social enorme. O abismo existente entre ricos e pobres aumenta a cada dia. Para se ter uma ideia, quando aqui cheguei, o cache mínimo para um showzinho no bar era de 200,00DM (o equivalente a, mais ou menos, 100,00€). O meu aluguel, de um apartamento de mais ou menos 60m² era de 150,00DM. Hoje em dia os caches estão na base de 70,00€ mas o meu aluguel aumentou nesses anos para 470,00€! Com relação a segurança, também tem piorado, mas os índices de violência são bem baixos. Muito em função de uma melhor política de inclusão social,     explica.

Língua

    O alemão é o idioma mais falado na União Europeia, além da Alemanha, é o idioma oficial na Áustria, parte da Suíça, Luxemburgo, Liechtenstein e Bélgica (segundo pesquisas na internet). É uma língua intitulada como complexa, bem difícil de aprender, mas se aprender, lhe abre um leque de possibilidades.

    Quando cheguei aqui eu não falava praticamente nada de alemão. Um fato interessante é que aquele meu primeiro emprego eu consegui em inglês mesmo. É claro que que fiz um curso de três meses numa "Volkshochschule". Mas o grosso mesmo a gente aprende na rua, complementa.

Clima

    É fato que a Alemanha é um país frio comparado com o Brasil, porém em comparação com outras nações de clima considerado frio, o clima por lá é bastante ameno.

    É um clima muito variável, onde existem verdadeiramente quatro estações bem diferenciadas.  No inverno a temperatura pode chegar aos 5 graus negativos.  O Verão ronda os 18/20 graus, mas pode chegar a bem mais. O tempo de Primavera é bastante agradável e convida a passear. No Outono produz-se o efeito "Verão de marmelo", que dá caminho para a entrada do Inverno,    descreve.

Cultura

    É muito normal caracterizamos a sociedade alemã pela habilidade de planejamento e organização de seus cidadãos. Muitos costumam associar este povo à celebração das regras e da disciplina.

    A verdade é que os alemães têm estas duas qualidades muito sólidas e se orgulham disso. Eles consideram o trabalho uma das coisas mais importantes do dia a dia e o esforço e a excelência são reconhecidos a maioria das vezes. Mas eles são um pouco “frios” e bem formais. Cumprimentam com aperto de mão, já que não é costume abraçar e beijar que nem no Brasil. Porém, ao contrário do que muitos pensam, eles são uma sociedade das mais inclusivas e abertas para viver, do ponto de vista sexual, étnico e educativo, declara.

Apesar de ser um país muito moderno, a Alemanha não deixa de lado as tradições.

    Eles as preservam sim, e é o país que mais celebra festas por aqui. Claro que os eventos variam de acordo com a região, mas sempre ocorrem. Um deles é o Oktoberfest que é conhecido mundialmente. Acontece em Munique e milhares de pessoas passam por lá, principalmente turistas. Durante os dias de festa, as pessoas usam trajes típicos e se reúnem para beber muita cerveja, comer salsichas típicas e dançar. Recomendo para quem vier à Alemanha, vale a pena conhecer,     destaca.  

Turismo

Pardal conta que já conheceu muitos lugares na Alemanha, mas quase sempre a trabalho como músico.

As cidades principais: Hamburgo, Munique, Frankfurt, Nürenberg, Greifswald, Dresden Leipzig e mais um incontável número de pequenas cidades e aldeias onde fomos tocar em festivais, casamentos, aniversários, etc. Também fiz turnês em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, em Istambul. A passeio mesmo fui somente para Praga, agora no começo do ano.

De qualquer forma, o local onde mora, bairro de Kreuzberg, lhe dá incontáveis opções para “turistar”. É conhecido como o bairro mais descolado de Berlim, ou como dizem os berlinenses, o In-Viertel - o bairro da moda.

Aqui encontramos os bares, restaurantes e casas noturnas mais badalados da cidade. Arquitetura consideradas patrimônios, grafites espalhados pelas ruas como a East Side Gallery, que é um famoso trecho do muro de Berlim, e o Tempelhof, um antigo aeroporto revitalizado como parque. Aqui também encontramos o coração turco, uma das maiores comunidades fora da própria Turquia, (bem legal quem quer aproveitar o melhor de suas tradições e pratos típicos) e o centro da cultura alternativa da capital alemã, além de alguns dos pontos turísticos mais famosos da cidade como o Museu Judaico (Jüdisches Museum), Galeria de Berlim (Berlinische Galerie), Museu do Checkpoint Charlie, Topografia do Terror (Topographie des Terrors) e Museu Alemão da Tecnologia (Deutsches Technikmuseum),     finaliza.

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