ABSM

junho de 2016

por Bruna Pavanato

Entre loops, samples e algumas dezenas de pessoas a fim de se aventurar, ruas antigas passaram a ganhar vida, em um processo de revitalização cultural do centro de Santos.

O ABSM, que se lê abismo, é um coletivo que produz eventos de ocupação focados no techno, os espaços ociosos da cidade são vistos como "laboratórios mortos" pelo coletivo, que depois de um processo de leitura do ambiente decidem os locais das festas, desde a preocupação de não atrapalhar vias movimentadas e moradores até o valor histórico cultural do local. A necessidade de novos meios de se produzir, criar novas experiências, interagir com o público, são alguns dos motivos que fizeram com que essa experiência social tomasse vida pela união de três produtores que já desenvolvem outros projetos culturais na cidade, Rafael Forte, Dóla Rodrigues e Jardel Barbosa.

As ocupações sejam elas artísticas, de moradia, efêmeras ou fixas, não são novidade em grandes cidades do mundo. A busca por ressignificação dos espaços ociosos e a conscientização do cidadão, são temas latentes quando se fala na busca de uma sociedade mais igualitária. Na Baixada Santista já existem alguns outros coletivos de ocupação como os Piratas do Maxixe, Alce Negro, Sinestesia e a Vila do Teatro que é uma ocupação artística fixa composta por alguns coletivos.  "O principal objetivo é estabelecer uma nova relação com a cidade, enxergando-a como ponto de encontro e de experiência ao mesmo tempo nos tornarmos cidadãos ativos para transformá-la na cidade em que sonhamos", ressalta Rafael Forte.

O coletivo tem apenas seis meses e está em preparando seu quarto evento, sempre com a intenção de conseguir criar experiências marcantes para os amantes de Techno. “Estamos trazendo o L_cio, um dos produtores de techno com maior destaque no Brasil ultimamente, e recentemente ganhou o prêmio de melhor produtor nacional pela Rio Music Conference”, conta. As edições anteriores já tiveram a participação de uma galera de peso, como a dupla Boogboom, do selo nacional Not for Us, com um live de tremer as pernas direto de Campinas, interior de São Paulo.  Andrea Gram da Dsviante, Cashu da Mamba Negra e o novo causador da cena nacional Benjamin Sallum que com apenas 15 anos produz techno de gente grande que já invadiu as principais festas de São Paulo com seu live hipnotizante.

Todos os eventos na rua são gratuitos e feitos de maneira 100% independente, o difícil é saber onde e quando. “Os eventos são divulgados apenas pela internet. Para ficar sabendo, é preciso acompanhar o nosso trabalho através das redes socais”, completa. O que importa nesses eventos segundo os produtores, é a relação do cidadão com o ambiente, trazendo uma nova conexão com a cidade, e a circulação dos artistas, que não pode só depender de empresários e casas noturnas. “Prometemos colocar a “cidade a baixo” até o fim do ano, quando pretendemos aumentar as atividades, com muito mais eventos e intervenções”, finaliza Rafael.

 

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo