Adriano de Souza - Mineirinho

dezembro de 2017

por gerente

Por Thays Corrêa Fotos: Fabio Piva / Red Bull Content Pool
Matéria referente a Junho - Julho - Agosto - 2017

Ele é orgulho nacional, todos sabemos disso. No momento que a Zerotreze estava redigindo esta entrevista, Adriano de Souza, o mineirinho, estava levando para casa mais uma vitória na etapa do circuito mundial em Saquarema no Rio de Janeiro.

Mesmo com tantos títulos na carreira, Mineirinho não perde as lembranças que tem da Baixada e do tempo em que morava no Guarujá. E ele conversou com exclusividade para a Zerotreze contando um pouco mais da sua trajetória e de seus sonhos de vida.

Adriano de Souza em Haleiwa, Havaí, USA - Dezembro, 2016 - FOTO RYAN MILLER/ RED BULL CONTENT POOL

 

Porque o seu apelido é Mineiro?

Por conta do meu irmão. Ele era apelidado de Mineiro por ser quietinho. Quando surgi na turma, virei o Mineirinho.

O que você faz quando não está surfando?

Eu vivo treinando, curtindo minha esposa e vendo o meu Timão na TV quando não estou surfando!

Existe Surfe de diversão na sua vida? Você consegue diferenciar treino e diversão ou toda vez que cai na água é para treinar?

Existe! Inclusive em breve farei uma surf trip com o vencedor de um campeonato virtual de surf que organizei para a Maldivas! 

Você é patrocinado pela Red Bull, como foi essa negociação? Você ganha bem?

Não posso falar de valores, mas já estou com eles há um bom tempo e nos damos muito bem.

O que você faz com seu dinheiro?

Tenho alguns investimentos e aplicações.

Além de patrocinadores você ganha dinheiro de outra maneira?

Meus rendimentos vêm exclusivamente do surf.

A gente sabe que você é casado, mas como é a mulherada atrás de você? Rola um assédio pesado?

Na maioria do tempo minha esposa está comigo e não fico dando abertura para esse tipo de situação. 

Tem dias que você não está a fim de surfar?

Claro! Todo mundo tem um dia ruim, certo?

Não tem como não citar o titulo mundial de 2015. Conta tudo, Qual foi a sensação real?

Foi uma sensação única que pretendo repetir o quanto antes. Chegar ao topo do mundo é bom demais. No meu livro lançado esse mês, "Como se tornar um campeão", pela editora Intrínseca, eu conto todos os detalhes desse dia!

 Como você lida com comentários maldosos, inveja, etc? A gente sabe que rola isso.

Simplesmente não ligo. Não tenho muito tempo para perder com isso! Isso existe em todo lugar e a melhor coisa a se fazer é ignorar, pois a crítica não é minha, é de quem critica. 

Como é a convivência com os surfistas durante o campeonato, Quem você considera parceiro mesmo por lá?

Todos são respeitosos e cordiais. Como somos em muitos, ficar com os brasileiros sempre é mais divertido.

 Qual onda você mais curte? Qual etapa do circuito você vai e pensa: Ah que top...

Todas! Juro. Cada onda é espetacular à sua maneira. 

Você mora em SC agora, Porque escolheu esse lugar? Além das ondas imagino eu....

Minha esposa também mora lá, aí uní o útil ao agradável!

Ganhar no Brasil é mais gostoso?

Sim. E ganhar duas vezes é melhor ainda pois já havia vencido em 2011, mas no Rio.

Se você morasse fora, onde moraria?

Talvez no Hawaii! Mas estou feliz morando com minha esposa na terra natal dela, Floripa, que tem altas ondas também!

Como você imagina que vai ser sua velhice?

Feliz! Bem feliz!

Como é sua relação com seus amigos de infância?

Carrego todos comigo até hoje. Não abandonei nem esqueci ninguém. Teve amigo até que desfilou comigo no caminhão de bombeiros quando fui campeão!

Você sempre volta pro Guarujá, na comunidade em que nasceu, como é esse paradoxo na sua vida?

Me traz uma sensação de orgulho por ter conseguido o que consegui saindo de lá e uso isso para incentivar outros jovens das comunidades por aí que vivem algo parecido com o que vivi.

Teve algum amigo que deu ruim, foi pro crime?

Já vi gente da comunidade ir para o caminho errado, mas felizmente meus amigos e eu escapamos. E não foi todo mundo ali que teve essa sorte.  

Se você pudesse mudar algo do passado, o que você mudaria?

Nada!

Tem algum arrependimento?

Nenhum! Minha vida pode ter sido difícil mas não mudo uma vírgula.

 Qual foi a situação mais arriscada que você já passou surfando?

Ah com certeza foi em J-Bay quando surfei e as imagens aéreas mostraram tubarões cercando. Na hora não sabia, mas depois que vi as fotos e o que aconteceu com o Mick fiquei apavorado. 

Tem vontade de fazer algum projeto social no Brasil?

Já faço algumas coisinhas mas pretendo ampliar esse trabalho aos poucos. Mas não sou de ficar fazendo propaganda disso.

O que você tem mais saudade da Baixada?

Ah, da família, dos amigos e das ondas. Acabo indo pouquíssimas vezes pra região durante o ano e quando vou não consigo ficar o tempo que gostaria. 

Quais são seus planos pro futuro? Na sua vida pessoal e profissional?

Ser campeão de novo e ter filhos!

Conta aí, quais são as dores e alegrias de ser campeão mundial?

Você acaba tendo tantos compromissos quando se é campeão que acabamos não nos dedicando tanto ao surf quanto deveríamos. Mas é algo único que nem todo mundo vive então tratei de extrair o máximo disso.

E hoje em dia? Você ganha muitos presentes, como você lida com o prestígio?

Ah é normal a fama quando se é campeão, mas isso é algo que a gente vai se acostumando no dia-a-dia. Mas essa parte do presente eu não tenho.

É difícil não se deslumbrar?

Se você tiver foco, não. Basta você saber qual é o objetivo e ser aplicado. Se você não lutar por algo que queira, ninguém vai fazer isso por você. Então é lutar sempre e nunca desistir.

FOTO MARCELO MARAGNI/ RED BULL CONTENT POOL

 

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