Uma aventura de moto ao Deserto do Atacama

dezembro de 2017

por gerente

Por Lethícia Gabriela Fotos: Gustavo Veríssimo
Matéria referente a Junho - Julho - Agosto - 2017

O grupo de motociclistas GS 22 Adventure Riders fez mais uma de suas incríveis viagens em abril. Dessa vez, para o Deserto do Atacama, localizado na região norte do Chile.

Em duas rodas, eles já conheceram o Machu Picchu (Peru), Colônia do Sacramento (Uruguai), Ushuaia (Argentina), Copiapó (Chile) e muitos outros locais em território brasileiro.

Mas não pense que é só pegar o capacete, separar o dinheiro e ligar o GPS. Muito pelo contrário. O administrador Luciano Rodriguez, um dos motociclistas do GS 22, conta que essa trip é bastante planejada.

“Tem muita coisa para se pensar, como equipamentos de segurança, hospedagem, paradas para alimentação, combustível, dinheiro e etc.. Cada um tem sua função no grupo, temos tempo estipulado para ficar nas cidades e para pilotar”.

Tudo é bem coordenado para que os viajantes possam aproveitar os 16 dias, entre tempo de ida e volta. Ao todo, 13 motociclistas participaram da aventura que custou 3.000 dólares para cada um. Cerda de 10.000 reais.

Até chegar ao Deserto do Atacama quatro paradas foram programadas. A primeira ainda no Paraná, em Laranjeiras do Sul; depois em Posadas, na Argentina; em Salta, também na Argentina e por fim em San Pedro de Atacama, um oásis no meio do deserto.

A paixão pelo motociclismo e a união do grupo fez com enfrentassem todos os problemas que estavam por vir. Alguns caíram, outros tiveram suas motos danificadas. Ou seja, precisou de muita determinação para completar o desafio.

Desafios

Logo no início da viagem, o único médico do grupo se acidentou, o que deixou o grupo todo em alerta. Alguns brecaram, ele não viu e acabou batendo nos colegas. Em meio a Cordilheira dos Andes, em Paso de Jama, o pneu da moto do administrador Rodrigo Carrera furou. Depois de horas tentando consertar, um caminhão cegonha passou e os motociclistas pediram ajuda a levar a moto para a cidade mais próxima.

A previsão de chegada ao hotel era às 15 horas, mas conseguiram se hospedar apenas às 22. Em meio a tudo isso, os motociclistas enfrentavam a temperatura de -1,5 °C.

Na Argentina, alguns sentiram falta de ar por causa da altitude e cansaço, outros, não conseguiam suportar o frio. No deserto, os termômetros variavam entre 0 °C à noite a 40 °C durante o dia.

“Os dedos congelavam e nós começávamos a cantar para tentar se distrair e não focar nas baixas temperaturas. Foi bastante difícil, mas mesmo assim foi a melhor viagem da minha vida”, relembra o comerciante Jorge Nahas

O empresário Gustavo Veríssimo já havia feito essa viagem de moto ao Atacama. No mesmo período e fazendo o mesmo caminho. “Se me perguntarem qual foi a viagem mais fácil da minha vida vou responder Atacama, e mais difícil Atacama. Não existem experiências iguais”, explica.

Autoconhecimento

Todos homens, com mais de 30 anos, destacaram que começaram a se descobrir nessas viagens. “Horas em cima de uma moto, sozinho, é uma baita terapia para quem curte esse tipo de viagem. Já teve gente que foi viajar conosco cheio de problemas e voltou com a solução”, conta o administrador Leonardo Vianna.

Além do autoconhecimento, cada piloto começou a ter a sensibilidade de perceber a dificuldade dos colegas. Seja para coisas simples como arrumar a mala, conversar ou o socorro após uma queda.

Para quem fica

Os motociclistas que por algum motivo não podiam ir viajar ficavam na ansiedade junto com as esposas. O técnico de Projetos Ulisses Valim teve de trabalhar e conta que acompanhava seus colegas por um GPS.

“Quando eu olhava eles no mapa parados muito tempo já ficava apreensivo com medo que tivesse acontecido algum acidente. As esposas viam esse rastreamento e me mandavam mensagens, eu tentava acalmá-las”.

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