Tá na mira!

dezembro de 2017

por gerente

Por Bruna Pavanato
Fotos: Tom Leal
Matéria referente a Setembro - Outubro - Novembro - 2015

Para falar sobre tiro ao alvo, resolvi conferir ao vivo.  Eu, Bruna Pavanato, colaboradora da Revista Zerotreze, junto com Juliana Ranieri (32, empresária) e Sueli Miramoto (43, auxiliar administrativa) que já praticam o esporte há algum tempo, participei de uma aula teórica com o policial e professor de armamento Steiner Schlindwein, sobre armas e munições, categorias do tiro esportivo, legislação e benefícios do esporte. É claro que depois rolou a aula prática e nós, mulheres, mostramos que a mira feminina é como a intuição, difícil de errar.

Steiner Schlindwein de Matos é investigador de polícia e mantem seu trabalho na Delegacia de Investigações Gerais de Santos e/ou Grupo de Operações Especiais. Em 2010 começou a atuar como professor de armamento e tiro da Academia de Polícia do Estado de São Paulo e em 2014 foi credenciado pela Polícia Federal como instrutor de armamento e tiro.

Steiner dividiu a aula por tópicos, começando com a história e evolução das armas, explicando que são nada mais que objetos destinados ao ataque, defesa e caça. Ressaltou que não se sabe ao certo quem foi o verdadeiro inventor da pólvora negra, provavelmente os alquimistas antes do ano 1000 e que a partir daí os chineses criaram os fogos de artifício, inserindo essa mistura em um cano comprido. Em 1300, os europeus criaram os canhões e em 1350 surgiram as primeiras armas portáteis. As novas criações foram aparecendo com o tempo, como os canos forjados, a primeira arma de percussão, o cartucho moderno, a espoleta, o revólver, a carabina de alavanca e a pistola.

Prosseguiu a aula com uma breve interpretação sobre as categorias do tiro esportivo, começando pela “Pistola livre e sport” para as mulheres e “Pistola de ar e tiro rápido” para os homens. A segunda é a “Carabina”, que possui três subcategorias e armas diferentes para os homens e as mulheres. A categoria “Carabina deitado” é somente masculina e a “Carabina três posições” e “Carabina 10 km” são para ambos os sexos. A terceira e última categoria é a “Tiro ao prato”. As provas são chamadas de Skeet, Fossa Olímpica e Fossa Dublê. No Skeet, são lançados 25 pratos em cinco séries para os homens e em três séries para as mulheres.

Steiner estava aberto para perguntas a qualquer momento da aula, então aproveitei para saciar minha maior dúvida em relação ao assunto: Se eu quiser praticar o esporte, posso ter uma arma própria? O professor ressaltou que essa é uma pergunta bastante frequente e acabou adiantando o tópico “Legislação”, explicando que desde 2005 a comercialização de armas de fogo e munições continua proibida no Brasil, assim como o porte de armas. Excepcionalmente a Polícia Federal poderá conceder porte de arma de fogo desde que o requerente demonstre a sua efetiva necessidade por exercício de atividade profissional de risco ou de ameaça à sua integridade física. Porém, para se tornar um atirador esportivo e comprar armas e munições para esta prática, o atirador deve reunir certos requisitos legais, fazer parte de um clube de tiro e obter um documento chamado Certificado de Registro (CR). A fiscalização e legislação ficam por conta da Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados do Exército Brasileiro, que também disciplina a caça e o colecionamento de armas no país.

Para finalizar a aula teórica, Steiner compartilhou sua visão sobre os benefícios do esporte de tiro, afirmando ser completo para a saúde física e mental. “Ajuda no convívio social e contribui para a nossa qualidade de vida, além de combater o alzheimer e a arteriosclerose”.

Antes da aula prática, o professor explicou o que, de acordo com ele, é o mais importante, as instruções de segurança. Quem assiste a muitos filmes de gênero policial e ação como eu, pode achar que deve ser simples, mas se engana. As instruções são inúmeras e têm que ser seguidas rigidamente. Para Steiner, são quatro primordiais. A primeira é o controle de cano, ou seja, nunca apontar a arma para algo ou alguém que não queira destruir ou ferir. O dedo estendido ao longo do corpo da arma (dedo reto), só tocando na tecla do gatilho no momento do disparo. Uso dos dispositivos e teclas de segurança, se houver (travas), e manter a arma em local seguro, como o coldre ou bancada do estande de tiro. O uso de equipamento de segurança individual (EPI) como óculos e abafadores de ruído é obrigatório.

Mulheres no esporte

De acordo com o professor, as mulheres têm procurado cada vez mais o esporte, principalmente para aliviar o stress. E em sua percepção, elas apresentam menor dificuldade de precisão que os homens, por serem mais cautelosas e prestarem mais atenção nos fundamentos.

A experiência prática foi divertida e o professor Steiner muito atencioso. Eu sempre tive a curiosidade de ir a um clube de tiro. Já havia atirado com arma de chumbinho, participei de jogos de Paintball, mas nada se compara a atirar com arma e munição de verdade. A sensação é única. Achei uma boa maneira de combater o stress. Juliana Ranieri conta que seu interesse pelo esporte começou quando tinha apenas oito anos. “Meu tio é coronel e costumava levar a esposa e meu pai para atirarem no quartel do 2º BC em São Vicente. Como eu era muito nova, não podia ir junto. Só acompanhava por fotos e achava demais. Foi assim ao longo dos anos, o máximo que consegui foi uma camiseta camuflada de uma loja de artigos para atiradores. Até que no começo desse ano eu perguntei para o Steiner se ele sabia onde eu poderia ir por conta própria e me contou que era professor de tiro. Bastou começar para não parar mais. Estou completamente fascinada pela prática de tiro e garanto que no momento em que você aperta o gatilho esquece todos os seus problemas. Todo o stress vai junto com a bala”, recomenda”. Para Sueli Miramoto, que trabalha na área há 12 anos, o interesse pelo esporte veio naturalmente. Auxiliar administrativa e despachante no Cubas Clube de Tiro de Santos, cuida de renovação de CR e documentação de armas. “Ao longo do tempo fiz alguns cursos, onde me aprimorei e peguei gosto pelo esporte. Hoje participo de competições internas. É realmente ótimo para mim! Seguindo as regras de segurança não há problema algum e se eu puder resumir o esporte em uma palavra seria desestressante”, conclui.

    

Aulas particulares de tiro esportivo com Prof. Steiner:

(13) 99158-4828

steinerschlindwein@msn.com

 

 

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