Rudá: Um sonho real

dezembro de 2017

por gerente

Por Thays Corrêa
Fotos: Tom Leal e Acervo
Matéria referente a Junho - Julho - Agosto - 2016

Entre um telefonema e outro,e uma agenda lotada, Gustavo Lobo deu entrevista para a revista Zerotreze uma dia antes de se apresentar no Teatro Coliseu em Santos com o espetáculo ´Rudá: Um Sonho Real´.

Dirigido e produzido integralmente por Gustavo, o espetáculo consiste em um conceito muito conhecido na Europa e no Canadá – onde foi criado o Cirque Du Soleil – A mistura de teatro e acrobacias que mexem com o coração do público.

Gustavo teve que desligar o telefone, pois as ligações não paravam. Com orgulho, no escritório do Rudá, ele mostrou sua intensa agenda para o primeiro semestre de 2016, pelo Brasil afora.

“Estamos indo bem, com diversas apresentações sinto que estou no caminho certo”, disse Gustavo.

Mas o caminho que Lobo traçou é cheio de histórias e carimbos no passaporte.

Começou a carreira de ginasta aos sete anos de idade no Brasil Futebol Clube, local conhecido por despontar ótimos atletas na cidade de Santos na modalidade de ginástica olímpica.

“Vivia pulando no sofá de casa, e já sabia dar mortal de costas, então meu pai percebeu esse talento e energia e me matriculou na ginástica”.

O ex- ginasta, e agora empresário Gustavo Lobo, realizou seu sonho de trazer para o Brasil um novo conceito de circo, que mistura arte, ginástica e teatro.

Começou a participar de campeonatos paulistas, brasileiros, foi campeão sul-americano e pan-americano até disputar o campeonato mundial em 1998, onde foi o primeiro brasileiro a ganhar medalha de ouro neste campeonato oficial.

Logo, se mudou para Miami para treinar na Universal Gymnastics, para aprimorar sua técnicas, e chegou em um nível avançado para treinamento de atletas olímpicos. No entanto, segundo o regulamento da Federação Brasileira de Ginástica, para disputar a medalha olímpica, o atleta deveria treinar no Brasil.

Com dificuldades para treinar no Brasil por causa da falta de infra-estrutura, após 10 anos de carreira, Gustavo decidiu parar com as competições e abriu mão de participar das Olimpíadas de Atenas para ir para o Cirque Du Soleil.

“Um olheiro me viu no campeonato mundial da Hungria e me deu um cartão com seu telefone, três meses depois ele me convidou para a formação geral do Cirque du Soleil, que era um curso de 8 meses para aprimorar as técnicas de dança, musicalidade e movimento”.

Aí Lobo embarcou para Montreal, no Canadá e se infiltrou no Heardquarter do Cirque.

“Cheguei lá e tomei um choque, pois todo mundo falava francês, mas foi uma experiência incrível”.

Gustavo relata que a rotina era intensa, no entanto a equipe sempre foi muito amistosa e todos eram amigos no alojamento do Cirque.

“Nós treinávamos muito, mas ser atleta é completamente diferente de ser artista, então lá aprendemos a soltar todos os instintos e sentimentos, além de aprimorar técnicas rígidas de teatro e interpretação”, disse Lobo.

Depois de oito meses estagiando no Cirque Du Soleil, Gustavo voltou para o Brasil sem contrato com o Cirque e já não estava mais registrado na Federação da ginástica, foi então que decidiu dar um novo rumo á sua vida e trabalhar no porto, pois não podia ficar parado no tempo.

“Precisei buscar novos rumos, pois não sabia o que ia acontecer no futuro. Criei grandes expectativas em relação ao Cirque, mas não me contrataram de imediato”.

Após ´longos dez meses´, como ele mesmo diz, Gustavo recebeu um telefonema do diretor do Cirque Du Soleil, e então retornou para Montreal para definitivamente firmar seu contrato com o Cirque.

Então, Gustavo passou a integrar a equipe oficial de um novo espetáculo do Cirque chamado ´Corteo´ no ano de 2004, e passou a viajar com a equipe pelo mundo durante dois anos e meio, apresentando suas técnicas de ginasta e agora seu lado artístico.

Gustavo foi para Suiça e aprendeu novas vertentes técnicas e artísticas no circo Eloise, um novo desafio que ele nomeia como ´aprofundamento de sentimentos reais´.

“O diretor desta companhia trabalhava com sentimentos extremos, ele já tinha trabalhado com deficientes mentais em estado terminal e usava esse tipo de técnica para exprimir todo nosso lado obscuro para atuarmos com mais precisão”.

Após dois anos voltou para o Cirque Du Soleil, como protagonista no espetáculo ´La Nouba´, morou em Orlando por três anos, mas o sonho real não saía de sua cabeça. 

“Depois de dez anos, olhei o cenário circense do Brasil e percebi que éramos carentes nesse segmento. Queria ser pioneiro nesse aspecto”. Disse Gustavo.

Hoje Gustavo, além de empresário, diretor, artista e diretor financeiro de sua empresa, disse que encontrou muitas dificuldades para encontrar investimentos desenvolver o Rudá.

“Fui atrás de investimentos, mas nem todos os empresários eram tão leais, precisei ter muito tato para escolher meus parceiros”.

Rudá é um espetáculo inspirado no novo circo, que relembra brincadeiras de infância e mistura ginastica, dramaturgia, música e desenvolvimento teatral. O cenário rústico e a iluminação demonstram que Rudá chama a atenção realmente para as atrações principais.

Hoje com um staff de 22 artistas, Gustavo viaja o Brasil, mas seu coração está vinculado á Santos com muita raiz.

O sonho de Gustavo não para por aí, ao perguntar sobre os projetos do futuro, Gustavo fala com muita emoção:

“Quero fazer um projeto social e tirar as crianças das ruas através da arte. É uma luta, precisamos de um espaço físico e intenções políticas de verdade, não vou desistir, mas tenho certeza que vai dar certo”.

Termino a entrevista perguntando se Gustavo acredita se ele já tinha veia artística, ou se conseguiu aprimorar isso através de técnicas expressivas.

“Todos nós somos artistas, só precisamos perceber isso”, finaliza Gustavo.

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