Japão

outubro de 2017

por gerente

Por Bruna Pavanato
Fotos: Arquivo Pessoal

ZT Pelo Mundo

Matéria referente a Dezembro - Janeiro - Fevereiro 2016/2017

De um extremo para outro

Vamos dar a volta ao mundo com a santista Andrea Kamiya, e conhecer um pouco da “Terra do Sol Nascente”.  

Localizado no extremo leste da Ásia, o Japão é formado por quatro ilhas principais e 3 mil menores.  Extremamente montanhoso, possui  67% do território coberto por florestas. A pequena quantidade de terra arável é aliada ao extenso litoral.

Tóquio, sua capital, situa-se em Honshu, a maior ilha do arquipélago. Possui 9. 790 000 habitantes, cerca de 10% da população do país, e a Região Metropolitana de Tóquio possui mais de 37 milhões de habitantes, o que torna a aglomeração de Tóquio, independentemente de como se define, como a área urbana mais populosa do mundo.

E é nessa megalópole que mora Andrea Kamiya de 29 anos, mais uma santista marcando presença nesse mundão a fora. 

Nascida e criada em Santos, a neta de japoneses, antes de se aventurar no país dos avós, trabalhou como Gerente de Contas para uma empresa de telecomunicações daqui de Santos.  “Depois de sete anos no mesmo segmento me vi cansada e resolvi encarar essa aventura, já que de todos os cinco irmãos, eu era a única que ainda não conhecia a terra dos meus avós”, conta. 

A decisão de ir pra lá, foi em conjunto com sua irmã mais velha, que mora no Japão há 25 anos. “Foi tudo muito rápido, providenciei meu visto, juntei um dinheiro e fui. E por eu ser descendente, facilitou bastante a entrada no país’’, comenta. 

A princípio, Andrea tinha a intenção de ir a passeio e conhecer o país. Hoje, esses três meses que seriam para passear, já se tornaram dois anos. Ela relata que nesse meio tempo trabalhou em uma fábrica, que contribuiu na acumulação de momentos difíceis. “A adaptação, esforço físico, as longas horas em pé, dores no corpo, má alimentação e o convívio com pessoas que não tem visão do mundo do lado de fora da fábrica. Foi bastante complicado, mas superei, afinal foi uma escolha pessoal”, relembra. 

“Após um ano na fábrica, ela começou a procurar outras oportunidades, e traçou o objetivo de morar em Tóquio.” Não demorou a aparecer oportunidades. Após algumas entrevistas, consegui um trabalho dentro do horário comercial com o final de semana livre. Me mudei para Tóquio, na região de Shibuya e trabalho com crianças de 2 a 6 anos em uma escola japonesa, ensinado o idioma inglês. É um trabalho gratificante, aprendo muito com as crianças, e dou o melhor a eles. Uma grande mudança de vida e trabalho. Em paralelo, estudo o japonês em uma escola em Tóquio mesmo, não é fácil, mas já consigo ter uma comunicação diária. E até ano que vem pretendo tirar a certificação do nível 3”, afirma. 

Quanto a adaptação, a santista garante ter sentido um grande choque cultural. “Toda mudança é difícil e comigo não foi diferente. A comida, o horário de trabalho, fuso horário principalmente, o clima, as pessoas. O Japão é um país cheio de regras. Você tem regras para andar na rua, para comer, para falar ao telefone, para andar no trem. Foi literalmente uma reeducação de costumes e atitudes”, desabafa. 

Em relação a língua, Andrea conta que foi um outro obstáculo nada fácil, pois não são todos os lugares que há atendimento em inglês, e se apoio firmemente no Google tradutor ou ajuda dos amigos. “Graças a Deus conheci pessoas incríveis que me ajudaram e ajudam até hoje”, declara. 

Economia

A economia japonesa é altamente industrializada, apresentando grande aparato tecnológico. O país se destaca nos segmentos de eletroeletrônico, informática, robótica, automobilístico, entre outros. O Japão detém o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) do planeta, atrás somente dos Estados Unidos. De acordo com a Andrea, o Japão não é um país caro para se morar, exatamente por ter uma economia estável e o cidadão possuir um salário que o permite ter uma vida compatível. “A única dificuldade referente a isso, é juntar dinheiro como na época de 80/90. São muitos descontos, taxas e impostos que são cobrados dos estrangeiros˜, menciona.

Clima

“As quatro estações do ano são bem definidas. As chuvas se concentram nos meses anteriores e posteriores ao verão. Já no inverno, sofremos com a influência da Massa de Ar da Sibéria que derruba drasticamente as temperaturas. Na espera da primavera, entre os meses de fevereiro e abril, é o ápice da alergia Kafunsho (febre do feno), causada pelo pólen dos cedros (sugi) e ciprestes (hinoki). Aí está um dos motivos que explica o fato dos japoneses utilizarem as máscaras quase o tempo todo. Eu tive no primeiro ano, e ainda tenho algumas vezes, o sintoma é como se fosse de um resfriado comum. Mas sem dúvida, a primavera é a estação mais agradável. È o mês das cerejeiras, o Sakura, de abril a julho, com noites estáveis e dias mais quentes. Agosto é o único mês mais quente do ano, o pico do verão! As temperaturas alcançam até 42 graus e os japoneses sofrem, o que causa muitas mortes por problemas respiratórios, pela época muito quente e seca.”, explica.

Cultura e Convívio 

Valiosa. Assim pode ser definida a cultura japonesa. As tradições milenares e sua culinária saudável são dois aspectos muito admirados por turistas de todas as partes do planeta, principalmente por quem visita o Japão durante as férias ou por temporadas mais longas. Muito da educação e inteligência do japonês pode ser explicado se olharmos para a história de um povo que soube se reinventar diversas vezes, mas que sempre soube respeitar os mais velhos e valorizar o que é novidade. “A cultura daqui é magnífica. Os templos milenares e a tecnologia  parecem conviver numa harmonia perfeita. Aliás, equilíbrio é o termo ideal para se entender como os japoneses levam o dia a dia. Saber aceitar e compreender o que pode ser útil na sociedade, sem deixar tradições e costumes de lado”, esclarece.

“O convívio pode ser muito bom se você respeitar as regras, ou pode ser insuportável se você não o faz. Já fui discriminada, mas a maioria das vezes muito bem recebida, na época que eu estava na fábrica, por exemplo, meu chefe, japonês, embora nossa comunicação fosse complicada, ele realmente gostava de mim, sempre me dava bons conselhos e perguntava sobre o Brasil, e dizia que queria ir ao carnaval do Rio de Janeiro. Quando falo que sou de Santos-Brasil, os japoneses conhecem a nossa cidade por serem muito fãs do Neymar. Alguns já me falaram que o sonho era conhecer a Vila Belmiro e quando falo que morava perto e sempre ia aos clássicos, eles endoidam!”, revela.

Turismo

Falando um pouco mais sobre o local onde mora, Andrea garante que mais que uma cidade limpa, organizada e segura, Tóquio é ao mesmo tempo uma metrópole gigante, com tudo de mais moderno em tecnologia, moda e arquitetura. Iluminada e colorida como um parque de diversões, a capital japonesa tem um povo educado e hospitaleiro, incluindo uma juventude fashion e descolada. A cidade encanta por seu estilo zen, gastronomia, centro de compras e a rica oferta de entretenimento para todos os gostos. “O que não falta em Tóquio é lugar para conhecer. “Mesmo sozinha, já rodei muito por aqui. só não mais por falta de tempo, conheço e moro entre os melhores lugares de Tóquio: Asakusa: Onde há os principais templos da metrópole; Akihabara: A cidade eletrônica; Odaiba: Ilha artificial dentro de Tóquio; Shinjuku: Conhecida pela estação de trem mais movimentada do mundo, mais de 3 milhões de pessoas passam por ali por dia; Shibuya: O maior e mais movimentado cruzamento do mundo; Harajuku: parte onde se encontra as Lolitas com a cultura Cosplay, Roppongi: região que concentra a vida noturna, como bares, nightclubs e entretenimento em geral. Conheço também a Tokyo Tower, símbolo de Tóquio, a torre Skytree (a maior do Japão e maior, mais alta do mundo) a Tokyo Disneyland em Chiba e claro, Monte Fuji (Fuji San) o grande ícone do Japão!”, comenta.

Saindo da capital, conheço as belas montanhas de Nikko em Tochigi; Kyoto, Osaka, as paradisíacas praias de Izu em Shizuoka, as ilhas vulcânicas de Niijima e Shikinejima”, complementa. “É claro, faltam alguns lugares que pretendo ir em 2017, por exemplo, festival de gelo em Sapporo, Hiroshima, nas montanhas de Nagano e na ilha de Okinawa, a terra dos meus avós”, finaliza. 

Quando perguntamos para Andrea, o que ela falaria para quem está planejando fazer intercâmbio, trabalhar ou apenas visitar o Japão, essa foi a resposta: 

“O meu ponto de vista no geral, é que o Japão ensinou e continua ensinando muito para o mundo. É um povo sofrido, se recuperam de uma guerra, da bomba atômica que atingiu Hiroshima e Nagasaki, e novamente em 2011, após o grande terremoto e tsunami que atingiu a região de Fukushima. Carentes de afeto e amizade porém, conservadores de suas origens com orgulho. Nosso país é muito amado no exterior e aqui também, conheci pessoas de todos os lugares do mundo e todos, sem exceção, já foram ou querem ir no Brasil. Há dois anos aqui, posso dizer que foi uma das melhores decisões da minha vida, uma lição e uma experiência que hoje me faz ser uma pessoa melhor do que eu era, porém, indico o Japão apenas para passeio, por ser um país maravilhoso, com uma cultura milenar incrível e inúmeras opções de lazer, mas não para trabalho, não para quem tem uma vida relativamente estável no Brasil”, finaliza. 

E aí, arriscaria uma vida por lá ou só visitaria?

Segue a Andrea no insta e fique ligado nas fotos iradas que ela posta! @kamiya_

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