Base Jump

outubro de 2017

por gerente

Por Thays Corrêa
Fotos: Arquivo pessoal de Waldemar Neto
Matéria referente a Dezembro - Janeiro - Fevereiro - 2016/2017

Um salto de liberdade

Apesar de parecer loucura, este esporte requer muita prática, habilidade, e conhecimento do equipamento utilizado.

Este esporte controverso começou a ser difundido em 1975, na Califórnia, e hoje já recebeu muitos adeptos ao redor do mundo.

O Base Jump consiste em saltar de prédios, antenas, montanhas e lugares altos em uma queda livre de total responsabilidade da pessoa que segura o próprio paraquedas e o solta no momento em que considera necessário.

B.A.S.E. é uma sigla que significa Building Antenna Span Earth, mas no Brasil este esporte é proibido, então, seus praticantes devem burlar seguranças de prédios para conseguir praticá-los.

Em alguns lugares do Brasil , como no Rio Grande do Sul, já existem cursos para o Base Jump, mas é necessário no mínimo 100 saltos de paraquedas de avião para ingressar nessa modalidade, portanto, não tente fazer isso sem experiência.

A Zerotreze conversou com o santista, Waldemar Dias Neto, de 34 anos que pratica saltos de paraquedas, e agora Base Jump há 20 anos, e ele conta como é a sensação.

Zerotreze: Neto, como tudo começou?

Neto: Desde os 14 anos eu pedia para meus pais me levar para saltar de paraquedas, então eles me levavam para Americana, no interior do estado para praticar o salto de aviões. Então passei a ir todos os finais de semana.

ZT: Como decidiu saltar de prédios e antenas?

Neto: Eu não imaginava nada disso quando comecei. Passei a conhecer pessoas que praticavam o BJ, depois passei a estudar os equipamentos e então decidi fazer o primeiro salto.

ZT: Como funciona a segurança e o risco do BJ?

Neto: Todo esporte radical exige um estudo sobre a segurança redobrado. Então, conheci pessoas que faziam o salto e fui fazer o curso em uma ponte em Rezende, no Rio de Janeiro. Comecei a saltar de alturas de 70 metros com uma pessoa junto que acerta a posição de saída do paraquedas. Passei a saltar de todos os lugares fixos com uma altura boa.

ZT: Conte como foi sua experiência de saltar de um prédio na orla de Santos.

Neto: Quando eu vi o prédio sendo construído, próximo ao canal 2, pensei na hora: Vou saltar deste prédio. Então, eu sempre passava por ali e ficava analisando a obra. Quando tiraram a rede de proteção, nós invadimos o prédio pelos fundos, onde não haviam seguranças e tentamos encontrar a escadaria. Foi uma aventura, pois estava escuro demais e acabamos saindo no porão do prédio, onde hoje tem um supermercado. Voltamos e conseguimos encontrar a escadaria que nos levou até o topo do prédio. É uma visão que nunca mais vou esquecer, porque sempre sonhei em saltar em Santos. Depois disso, fizemos o mesmo programa, só que as 5:30 da matina, para saltar vendo o sol nascer, foi indescritível.

ZT: Neto, este é um esporte proibido no Brasil, o que você acha disso?

Neto: As pessoas nos veem como marginais, mas não somos, tudo é feito com cuidado e há praticantes no mundo todo. Existem consequências sérias por causa desta proibição, como por exemplo o segurança de um prédio que foi mandado embora por nossa causa, depois que o vídeo do salto viralizou na internet. Foi uma pena, e eu me sinto culpado por ter prejudicado, mesmo que indiretamente, a vida de uma pessoa.

ZT: Qual é a real sensação da adrenalina da hora do salto?

Neto: Defino em três ‘íns’: Indescritível, Inesperado e Inacreditável.  Eu fico dias lembrando de um salto, a visão que eu tive e a sensação de adrenalina daqueles segundos de queda.

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