Viaturas Antigas de Santos

setembro de 2017

por gerente

Por Benny Coquito Filho Fotos: Raphael Angelo
Matéria referente a Março - Abril - Maio - 2017

Conheça a história do Grupo de Viaturas Antigas de Santos

Qual era seu maior sonho na infância? Ter superpoderes? Ir para a Disney? Ter uma banda de rock? Para Richard Coatsworth, agora com 45 anos, um dos maiores era pilotar um jipe militar. Na época, o garoto já se encantava por tudo referente ao Exército. Com 18 anos, Richard foi conhecer de perto esse universo e serviu na Fortaleza de Itaipu, em Praia Grande. Ele serviu apenas por um ano e depois foi trabalhar em outras diferentes áreas. Desse curto período servindo às Forças Armadas ficaram as lembranças e a amizade que fez com Jerry Masson. Com da morte da mãe, o ex-militar, Richard, sentiu a necessidade de ocupar o tempo e a mente com um hobby, uma atividade. Foi aí que ele se lembrou daquele sonho de menino: pilotar jipes militares. Para realizar o sonho, “vendi meu carro de entrada, peguei financiamento de banco e fui atrás desse jipe com um bom valor porque os outros estavam bem mais caros”, conta Richard. Depois de quase 20 anos, ele e o amigo dos tempos de exército voltaram a se encontrar. Obviamente que um dos motivos da reunião envolvia o jipe Willys-1973, adquirido pelo Richard. Jerry não só gostou da “novidade” como também comprou um Engesa-1987. A dupla logo se transformou em grupo quando eles encontraram novos adeptos dos jipes militares. Há três anos formaram o Primeiro Grupo de Viaturas Antigas de Santos: Regimento Pantera. Atualmente eles já somam dez viaturas. Além das duas já citadas, o grupo possui um Dodge Patachoca-1942 4t e um Jipe, também de 42, que foi importado da Itália e, inclusive participou da Guerra. Esses carros são, de acordo com o Richard, não só os mais antigos do grupo como os mais originais, pois têm equipamentos – como rádio e lanterna – que não existem mais. É por essa originalidade que o grupo prima. Mas a grande diferença de preço entre uma viatura que já foi militar e outra que não torna difícil esta exigência. Só para se ter ideia, a média de preço de um jipe antigo que não é militar, por exemplo, está na faixa de R$ 20 mil. Os de 1942, do grupo, estão avaliados acima de R$ 100 mil. De acordo com Richard, o preço de um jipe militar varia de acordo com o valor histórico e a quantidade de equipamentos originais na viatura. Mas ele admite ser impossível sempre optar pelo original. “Quando aparecem problemas na carroceria, nós optamos pelo original, que é muito mais caro. Mas em relação aos problemas mecânicos, que são mais frequentes, nem sempre é possível manter o mesmo padrão pelo alto custo e pouca opção de mercado”, conta o fundador do grupo. No caso dos veículos que não são militares, eles camuflam, colocam adesivos e peças de viaturas (tudo original). Nesses casos e até com os jipes que já foram militares, eles tomam muito cuidado para não usar nada que esteja em vigor nas Forças Armadas. E esse “nada” inclui tanto a farda que os soldados utilizam atualmente, quanto brasões, camuflagem e qualquer outra vestimenta, pois está prescrito na legislação atual do Exército. Por exemplo, eles não utilizam a mesma farda utilizada atualmente nem o brasão do Exército na boina, mas sim o do Grupo de Viaturas. O brasão do grupo é formado o Cruzeiro do Sul (usado pelos pracinhas em 42), o nome do grupo e a Pantera (mascote da Segunda Bateria, onde os dois militares do grupo serviram). Em dias comuns, eles se uniformizam: camiseta e boné verdes com um brasão do Primeiro Grupo de Viaturas Antigas de Santos, calça com faixas amarela e azul e tênis preto. Para eventos especiais, como desfiles, só Richard e Jerry, que foram militares, vestem uma farda verde-oliva, a cor utilizada pelo Exército da época. O grupo participa de eventos voltados à linha militar, como 7 de Setembro e outras datas e comemorações importantes, por exemplo. Em alguns domingos, eles se reúnem próximo ao Aquário Municipal, com o grupo do CAAS (Clube de Automóveis Antigos de Santos), que são veículos em geral, não militares. Para entrar no grupo não é preciso ter sido militar, mas ter uma viatura militar, disponibilidade e comprometimento para participar desses eventos. Diariamente, é muito difícil você cruzar com uma viatura militar antiga. O Richard, por exemplo, só usa aos finais de semana. Ele conte que o jipe ficaria muito danificado, além de chamar muita atenção. “Às vezes eu até saio com ele para abastecer e aproveito pra ir ao shopping e quando eu saio sempre tem gente que pergunta e quer saber. Não tem como, mas se eu pudesse, usava todo dia”. Além do amor pelo Exército, e do sonho de pilotar um jipe militar, Richard tem, junto com os integrantes do grupo o desejo de expandir o conhecimento para a sociedade. Falar sobre as atividades militares, contar as histórias dos jipes e as diferenças entre eles. Para isso, ele acredita que seria fundamental montar uma base para o grupo, assim como existe no Paraná (Brigada Paranaense de Viaturas Antigas). Lá, eles tem uma oficina para os veículos, uma sala com inúmeros equipamentos históricos, quase como um museu. Além de funcionar como hotel e visitas escolares. “A nossa intenção é exatamente essa: explicar e, principalmente, mostrar um pouco da história do Exército e do país para as pessoas”.

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