Festas Underground

setembro de 2017

por gerente

Por Bruna Pavanato Fotos: Arquivo Pessoal
Matéria referente a Março - Abril - Maio - 2017

“Festas underground” e sua importância para a cena eletrônica na Baixada Santista.

Assim como casas noturnas são responsáveis por fazer o mercado da música eletrônica se manter estável, as festas que rolam no underground (literalmente) e os coletivos por trás destas iniciativas dão uma sensação de novidade à cena de muitas cidades, principalmente Santos, tornando-as mais importantes do que imaginamos. Talvez, algumas pessoas não entendam muito bem o conceito da palavra, por isso, aí vai uma breve explicação: Underground é uma expressão usada para designar um ambiente cultural que foge dos padrões comerciais e dos modismos. Também conhecido como Cultura Underground ou Movimento Underground, para designar toda produção cultural com estas características, ou Cena Underground, usado para nomear a produção de cultura underground em um determinado período e local. O fato é que as festas underground estão ganhando cada vez mais popularidade ao redor do mundo, e por aqui, elas decidiram estacionar e surpreender. Não só pela falta de escassez de opções focadas em música eletrônica na Baixada, mas sim, como o próprio enfoque cita: a sua importância. No geral, além de levarem a cultura da música eletrônica para as ruas, elas promovem espaço para novos DJs e produtores mostrarem seu trabalho. Possuem o objetivo de desburocratizar o acesso a diversão e ao espaço público, contando também com artistas visuais. A verdade é que varia de projeto para projeto. Uns apresentam itinerários diferentes, podendo envolver até shows, performances e cursos/workshops. Em relação aos estilos, você vai poder ouvir Techno, Tech House DeepHouse, entre outros. ABSM e DIMENS 10 são dois grandes exemplos de projetos de sucesso, originais daqui de Santos, e que já participaram de matérias em edições passadas aqui na Revista Zerotreze. Para entendermos um pouco mais sobre o crescimento da cena eletrônica underground e o que rola aqui em Santos e região, entrevistamos cinco dos principais nomes que apoiam e participam dela. Se liga só!   Rodrigo Salvez Tem 37 anos e começou a carreira de DJ em 1997. Além de atuar na área atualmente, ele também trabalha como auxiliar de escritório e é formado em logística. “Bem, atualmente não temos mais casas noturnas em Santos especializadas no gênero, ou seja, focadas somente em música eletrônica. A única hoje em dia que toca, é uma casa no Guarujá. Hoje, os eventos que acontecem de música eletrônica na Baixada são organizados por pequenos e grandes empresários, amantes do som, DJs que por não ter mais onde tocar, tem organizado seus próprios eventos, para ter a possibilidade de tocar e claro trazer outros DJs e os próprios aqui da Região. Ou seja, a cena de música eletrônica se resumiu a eventos itinerantes, sem datas e dias da semana fixos. Tem os eventos de rua que também estão contribuindo para o fortalecimento da cena. Participo de três projetos de música eletrônica atualmente em Santos, um deles é beneficente, onde a cada dois meses ajudamos alguma instituição que cuida de crianças carentes na região, um voltado para o público que gosta do Psy/Prog Trance e suas vertentes e um voltado para o Techno e House e suas vertentes. Todos com mais de dois anos na região. O propósito de todos os projetos é levar a música eletrônica a todo tipo de pessoa que curte o estilo.”   Ricardo Gomes  Ele é consultor imobiliário e também DJ e Músico à 15 anos. “Acompanhei muitas fases da cena eletrônica aqui na região e desde então, ela nunca esteve numa crescente tão grande. Alguns "DJs" novos ou até mais experientes, estão ganhando cada vez mais seu espaço pela atitude em mostrar novas sonoridades, diferente daquilo que ouvimos todos os dias nas rádios. Embora o "mainstream" tenha sempre seu posto como preferência da grande massa, acredito que hoje aqui na baixada o underground está ganhando cada vez mais seu espaço justamente pela diversidade sonora que foge de muitos padrões, abrindo de uma certa forma um pouco mais a cabeça do público. Hoje temos eventos de coletivos como "BR3XÓ" e "ABSM" que focam na música eletrônica underground e estão cada vez mais ganhando seu espaço dentro e fora da baixada. Outro projeto daqui de Santos com foco no underground é o DIMENS10.tv que realiza transmissões ao vivo de festas conceituadas e workshops por todo Brasil. Projetos que atualmente estão dando o que falar, mudando a cara da cena eletrônica na região.” Atualmente, Ricardo em parceria com mais 2 DJs, criaram o BR3XÓ, citado por ele acima. Evento voltado totalmente a musica eletrônica underground abrangendo desde o Indie Dance ao Techno. È gratuito e possui o objetivo de revitalizar locais esquecidos e abandonados do centro de Santos.   Osvaldo Saldanha Filho Ele tem 34 anos, é médico cirurgião plástico e cirurgião geral e também DJ. Ele comentou que as pessoas sempre perguntam como ele faz para administrar suas profissões, mas afirma que nunca teve problema com isso, já que toca piano desde os seis anos e guitarra desde os 13, portanto, a música sempre esteve com ele. “Eu estou muito feliz com o que anda acontecendo com a cena eletrônica não só aqui na baixada, como em São Paulo e em todo Brasil. A cultura musical brasileira no geral é muito obsoleta. Apesar de possuirmos o melhor ritmo do mundo e músicos maravilhosos. E não estou falando só de musica eletrônica como de qualquer gênero musical. A população em geral não valoriza musica de qualidade. Na cena eletrônica o que tem acontecido é uma união muito forte de pessoas que gostam de verdade de musica e com essa união, surgiram festas e projetos que tomaram forças e proporções que eu não imaginava que tomariam. Desde de 2015 foram realizadas inúmeras festas com DJs renomados do Brasil em lugares inusitados (como o morro da asa delta) que nós ficamos incrédulos de tão perfeito que foi. O projeto do qual faço parte se chama Dimens10 e foi idealizado e desenvolvido pelo Pedro Lombardi (baleia) com a ajuda de djs e amantes da música eletrônica da baixada como Fernando Santos, Magu, Nicolas Pera, entre muitos outros DJs que foram adicionados a “crew” ao longo desses quase dois anos. A ideia inicial e que se mantém até hoje é de realizar festas menores, em ambientes diferentes da habituais baladas. Lugares inusitados e agradáveis com transmissões ao vivo. Sempre convidando artistas e realizando parcerias com grandes clubes como o D.EDGE. Nós estamos em conjunto, amadurecendo ideias para novos projetos para um futuro próximo, incluindo a criação de uma label (selo) para lançamento de músicas dos produtores da Dimens10.”   Fernando Santos Tem 31 anos, é DJ profissional desde 2005 e atuo também na área financeira de uma Escola Técnica. Atualmente, ele participa dos projetos: Oke Records, DIMENS10.tv, Br3xó e LongPlay (duo com o DJ Rodrigo Salvez usando discos de vinil). “Particularmente, nunca vi a cena tão em alta aqui na Baixada Santista, o público multiplicou muito desde a época que comecei a dar os primeiros passos como DJ, acho que boa parcela se dá por conta dá globalização, internet e as facilidades que a tecnologia traz a todos. Hoje o acesso à música está muito mais fácil, uma nova geração de DJs cresce cada vez mais. Na Baixada Santista não estamos ficando para trás, existem muitos novos DJs e produtores musicais e há uma boa relação entre novos e antigos profissionais. Toda a galera vem estudando e aprendendo bastante, tanto nas mixagens quanto nas produções musicais, obtendo bons resultados e grandes destaques. Hoje, a baixada também pode contar com Selos (gravadoras) como o Oke Records, que já distribuiu e distribui muita música eletrônica Santista para o mundo. Temos festas itinerantes como ABSM e Br3xó que são realizadas em espaços públicos ocupando locais esquecidos no centro da cidade trazendo a cultura da música eletrônica com muitos DJs da baixada e da capital, temos também o Club 49 o único club que ainda investe em música eletrônica underground em Santos e que está sempre de portas abertas.” Igor Gonçalves Com 48 anos, ele é DJ e Controlador do Tráfego Naval no Porto de Santos, “Dispatcher” como dizem em sua área. “Sou envolvido desde 1985 na cena underground na Baixada, onde tive forte participação no cenário do heavy metal , tocando em bandas e sendo colunista em um fanzine bastante conhecido na época . Na música eletrônica, atuo a mais ou menos 3 anos. Fiz curso de DJ com o Rodrigo Salvez, que hoje é um grande amigo, e a partir daí começaram a aparecer várias oportunidades para tocar em Santos e em outras cidades. Após esse tempo, criando experiência e tocando em várias festas de nome em nossa região,passei a ser um dos sócios de uma festa super conceituada na baixada, a “MUSIC ON THE SEA”, que acontece a bordo de uma escuna, onde rola som com vários DJs renomados da cena eletrônica brasileira.  Faço parte também de um núcleo daqui da Baixada, o ‘’VEDANA”, onde junto com outros DJs e produtores, visamos informar o que acontece de melhor na cena underground por aqui. Sou idealizador de um projeto chamado Eletronic Lounge em um quiosque localizado na divisa, chamado “Chillout Drinks”, um projeto que promove encontro de DJs e amantes da música eletrônica, dando oportunidade para aqueles que estão começando agora.  Esse vento acontece uma vez ao mês e chega a reunir de 500 a 700 pessoas na praia, totalmente sem fins lucrativos”. Rose Aloy Atualmente ela vive somente da Cena Eletrônica. É DJ, Produtora de música eletrônica e já participou do DIMENS10.   Infelizmente, não sei bem o que aconteceu em Santos, mas as Baladas foram acabando gradativamente, talvez por conta da burocracia, crise, má divulgação e até mesmo falta de público. Amigos de Santos, apaixonados por música, cultura e arte se uniram e formaram seus Núcleos para que pudessem levar ao público algo com um conceito diferente, na maioria das vezes de graça e é por isso que escutamos falar das Festas Underground. São organizadas em lugares que fogem do padrão, lugares culturais, ruas, praças e espaços abandonados. Em Santos temos alguns Núcleos que estão em constante trabalho, levando música, arte, cultura com um Conceito Musical diferente do Comercial, apresentando ao publico um som mais under, com intervenções artísticas, trazendo Djs Produtores diferentes, investindo na qualidade do som e o melhor de tudo dando oportunidade a novos artistas. Tenho visto um grande crescimento de Núcleos em diversas Cidades do Brasil, em São Paulo posso dar o exemplo: Mamba Megra (fazem Festas pra duas mil pessoas), ODD (trazendo o verdadeiro Techno), Subdivisions (trazendo gente do Brasil inteiro) entre outros. Por aqui posso citar esses quatro: BR3xØ, Senses, Long After, ABSM.”

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